Interessante a passagem do meu encontro com a minha afilhada/irmã Zhang Lin aqui em Mianyang final de semana passado.
Depois de visitar um templo a gente foi para um parque de diversões na praça central da cidade.
Entre os diversos brinquedos havia os que adrenalizavam mais.
Era justo nesses que a Lin Lin se aventurava mais. Sem medo e mostrando muita coragem . Até que chegou num brinquedo em que ela me chamou pra ir junto.
O titulo do brinquedo era algo como “tremores do terror”. Uma espécie de palco giratório circular de uns 10 metros de diametro e que nas bordas tinha um acolchoado e almofadado e que em tese serviria para as crianças se segurarem. Claro que tem uma hora que o brinquedo fica tremendo tanto que as crianças não aguentam ficar mais no lugar e vira uma zuada só. Parece panela de pipoca com uns pimpolhos dentro. É tudo acolchoado e os trancos apesar de fortes são suportáveis. Fora que o troço ainda fica girando .
O fato é que não é proibido um adulto ir nesse brinquedo.
Ver o brinquedo funcionando e as crianças que nem pipoca ali me deu uma gelada. Olhei pra cara da Zhang Lin e ela sentiu isso. Aí ela solta pra mim a mesma frase que eu disse pra ela em 2008 quando ela perguntou pra mim se eu não tive medo de enfrentar tantos perigos pra chegar no campo de desabrigados do terremoto em Mianyang:
“É…medo eu tive … muito . Mas ele não pode me dominar”.
Ela disse algo bem parecido: “É ..vai dar medo…mas não deixe ele te dominar”
Me puxou pelo braço e em alguns segundos estavamos lá sentados no acolchoado esperando.
Portas fechadas, música estridente …vai começar…
O brinquedo começou a girar e tremer, no começo bem leve, depois de uns 10 segundos BEM mais forte e aí lá estava um gringo com um monte de crianças fofas e alucinadas sendo arremessados de um lado a outro como milho dentro de panela de pipoca. Eu e a Lin Lin nos olhávamos e riamos muito. Medão…o troço girava rápido, mas aí me deixei levar …era uma coisa profunda, não tinha muito como se controlar ali dentro. Fechei os olhos, as vezes olhava para o alto, pra ela , relaxei e dei muita risada, olhei pra ela sendo arremessada de um lado pra outro , dei um jeito de pular pra perto, segurar a mão dela, dar MUITA RISADA.
O brinquedo parou, saimos. Eu muito zonzo , ela super-feliz voando pensando no próximo já .
Lembrei instantes depois (na realidade refleti, pois nunca me esqueço) que ela é sobrevivente de um terremoto…
Talvez tenha sido uma maneira sutil com que ela me mostrou que em parte já superou o trauma que viveu lá de Beichuan quando a escola onde ela estava desabou matando TODOS os estudantes e professores, exceto ela . Aquele brinquedo é praticamente uma simulação de um terremoto.
Ela me puxou pela mão e foi brincar de escalar paredão (na realidade um imenso brinquedo inflável simulando um paredão).
Foi uma tarde inesquecível. E um momento muito marcante na minha vida essa passagem .
Como deixei a camera com a avó dela e ela não sabe filmar em video vou ficar devendo fotos e videos disso.